Lilly: a essência de uma força construída no improviso
Por Jeruza Moreira para EVVA
EVVA Como você define o seu início no comércio?
Lilly Foi um começo movido pela necessidade. Quando meu marido passou a trabalhar em uma empresa de maçãs, nos mudamos para o bairro Vila Nova. Eu produzia chinelos de ráfia e sacolas artesanalmente, dia e noite, e depois saía para vender.
Teve um dia que meu filho quis um carrinho de pilha. Para comprar, precisei fazer vários pares de chinelos. Ele guarda esse carrinho até hoje e, de certa forma, ele guarda tudo o que aquilo representou.
Depois, montei uma pequena loja em um dos quartos da minha casa, com produtos do Paraguai. A casa vivia cheia. Às vezes, não havia espaço nem para estacionar. Eu me via mais como vendedora do que comerciante, porque naquele momento vender era sobreviver.
EVVA A diversidade foi determinante para o seu crescimento?
Lilly Sem dúvida. Com muito esforço, consegui financiar uma casa no bairro São Miguel, onde vivo até hoje. Mas nada foi fácil.
Em meados de 1995, comecei a vender produtos de limpeza que vinham em galões grandes. Eu precisava envasar tudo em garrafas PET, muitas vezes recolhidas do lixo. Depois, saía para vender com um Fusca antigo, que tinha um buraco no assoalho. Eu improvisava como podia.
Voltava tarde, lavava as embalagens, preparava tudo novamente e, no dia seguinte, começava de novo. Foi um período muito difícil, mas essencial para a minha formação.

EVVA Como surgiu o negócio que você tem hoje?
Lilly Aos poucos, fui ampliando. Além dos produtos de limpeza, passei a vender brinquedos, erva-mate, roupas e outros itens diversos, tudo o que pudesse gerar renda.
Nos fins de semana, também cortava cabelo e fazia permanente, que era tendência na época.
Em 1996, aluguei um pequeno chalé no bairro São Miguel e abri o Bazar Lili. As prateleiras foram feitas por nós mesmos. Era simples, mas era meu.
EVVA O quanto as tendências de mercado influenciaram sua trajetória?
Lilly Quando surgiu a onda das lojas de R$ 1,99, eu enxergui uma oportunidade. Fui a segunda a abrir esse tipo de loja em Fraiburgo e pioneira no bairro São Miguel.
O crescimento foi rápido. Em pouco tempo, expandi para um espaço maior e depois abri uma filial no centro. Anos depois, consegui construir minha própria loja, onde estou até hoje.

EVVA Houve uma transformação pessoal nesse processo?
Lilly Houve muitas versões de mim. Fui a Lilly dos chinelos, a Lilly do Paraguai, a Lilly dos produtos de limpeza, a Lilly cabeleireira.
Mas, no fundo, continuo sendo a mesma. Sempre trabalhei com honestidade, esforço e seriedade. E todos os dias agradeço por poder deitar com a sensação de dever cumprido.
EVVA O sucesso mudou quem você é?
Lilly Não. Eu sempre fui e continuo sendo uma pessoa simples. A vida ensina que não levamos nada, apenas deixamos.
E eu quero deixar a imagem de uma mulher que lutou, que foi forte, que fez o melhor que podia com dignidade.
Descubra mais sobre Evva
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
