Moradora de Itapoá, aos 65 anos, Tercilia Fornari vive um dos períodos mais desafiadores da sua trajetória com serenidade, fé e uma profunda conexão com a vida. Diagnosticada com câncer de mama em 2025, ela transformou a experiência em uma jornada de coragem, disciplina emocional e gratidão. Nesta entrevista à Revista EVVA, Tercilia compartilha como recebeu o diagnóstico, a importância do movimento, a força da espiritualidade e a mensagem que deseja deixar para outras mulheres.
O impacto do diagnóstico Tercilia, você descobriu o câncer logo no primeiro exame e, pouco tempo depois, recebeu o diagnóstico de dois tumores, um em cada mama. O que passou pelo seu coração naquele momento e como você conseguiu acolher essa notícia com tanta serenidade?
Em nenhum momento eu me questionei. Não perguntei por que comigo. Eu aceitei com naturalidade. Sabia que teria um caminho pela frente, mas procurei encarar com calma e confiança. Preferi não alimentar medo e seguir com serenidade, acreditando que conseguiria enfrentar tudo o que viesse.
Corpo em movimento, alma fortalecida Antes mesmo do resultado da biópsia, você estava competindo nos Jogos Abertos da Terceira Idade e se tornou bicampeã estadual. De que forma o esporte e a dança ajudaram a fortalecer não só o seu corpo, mas também a sua mente durante essa fase?
O esporte sempre fez parte da minha vida. Ele fortalece o corpo, mas principalmente a mente. A dança é minha paixão, me traz alegria e leveza. Continuei ativa enquanto pude porque isso me ajudava a manter o equilíbrio emocional, a confiança e a sensação de estar viva. Só parei quando foi realmente necessário, por orientação médica, para me preparar para a cirurgia.
Fé, rede de apoio e coragem diária Em vários momentos você cita a fé, a família e as amizades como pilares dessa caminhada. Como essa rede de apoio se manifestou no seu dia a dia e que papel a espiritualidade teve para te manter firme nos dias mais difíceis?
Primeiro vem Papai do Céu. Depois, minha família, minhas amigas e meus amigos, não só de Itapoá, mas de muitas outras cidades. Eu sentia uma força muito grande todos os dias, e acredito que vinha das orações que faziam por mim. A fé move montanhas, e eu acredito muito nisso. Com fé e pensamento positivo, consigo enfrentar os altos e baixos e seguir em frente.
Mensagem para outras mulheres Hoje, ainda em tratamento, olhando para tudo o que já enfrentou, que mensagem você deixaria para mulheres que estão vivendo o diagnóstico ou passando pelo tratamento do câncer de mama neste momento?
A primeira coisa é não desanimar. Enfrentar com coragem e fé. Tentar levar uma vida normal, respeitando os cuidados e as orientações médicas, mas sem deixar de viver. Fazer o tratamento com o pensamento voltado para a cura, acreditando que isso vai curar. A doença não impede a vida.
Atualmente, Tercilia segue em tratamento e precisou dar uma pausa temporária nas atividades que ama, por conta das quimioterapias e dos dias em que o corpo pede descanso. Segundo orientação médica, o retorno às atividades físicas será gradual. Caminhadas, bicicleta e esportes virão primeiro. A dança ficará para o final, mas segue como um objetivo que a motiva diariamente.
Ao final da entrevista, uma palavra resume o sentimento que define este momento da sua vida?.
Gratidão.
Agradeço à Revista EVVA e à página dedicada à Mulher 60+ pela oportunidade de contar a minha história. Compartilhar essa trajetória é, para mim, uma forma de fortalecer outras mulheres e lembrar que, mesmo quando o corpo pede pausa, a alma segue firme.
Reportagem e texto: EVVA – Comunicação com Propósito Colunista convidada EVVA 50+: Luci Filmadora Edição: Jerusa Soares, Redatora Revista EVVA Fotografia e registro: Luci Filmadora
A trajetória de Geisiane Caldeira mostra que determinação, fé e gratidão são capazes de transformar sonhos em realidade. De menina que vendia camarão na beira da rua em Itapoá à advogada previdenciária que hoje garante aposentadorias, orienta trabalhadores e inicia projetos para fortalecer empresas, sua história é um convite à perseverança. Entre desafios, superações e conquistas, Geisiane deixa um legado de inspiração para outras mulheres: acreditar nos próprios sonhos, valorizar quem estende a mão no caminho e seguir adiante, sempre confiando que Deus abençoa aqueles que permanecem firmes no propósito de vida.
Evva: Você é nascida em Itapoá? Geisiane: Sim, nasci em 1986 e morei em Itapoá durante boa parte da minha vida. Aqui estão minhas raízes, minha família, meus amigos e muitas memórias que me fortalecem até hoje.
Evva: Há quanto tempo você atua como advogada?
Geisiane: Atuo na advocacia desde 2020. Passei no Exame da OAB em 2019, ainda no último ano da faculdade, e isso foi uma conquista muito especial. Não venho de uma família de advogados e cada etapa até aqui foi marcada por muito esforço e dedicação.
Evva: Por que você escolheu o Direito Previdenciário como área principal? Geisiane: Sempre tive o desejo de lutar por uma classe de trabalhadores desassistidos. No Direito Previdenciário encontrei a chance de mudar vidas. Garantir aposentadorias e benefícios, especialmente para os pescadores artesanais – que fizeram parte da minha própria história –, é algo que me realiza profundamente. Além disso, poder orientar as pessoas a contribuírem com a previdência para assegurar direitos para si e seus dependentes é uma missão de vida.
Essa vocação de lutar por quem precisava já vinha de muito antes da advocacia. Aos 16 anos, participei como voluntária na Pastoral da Criança. Também já fiz parte da Associação da Barra do Saí, atuei na equipe do jornal online Diário de Itapoá e fui Co-fundadora do Tribuna de Itapoá. Em todos esses projetos, a intenção sempre foi a mesma: dar voz, acolher e lutar por aqueles que precisavam ser ouvidos e assistidos.
Evva: Qual conquista te marcou mais até hoje? Geisiane: Sem dúvida, a aposentadoria da minha avó aos 76 anos. Ela já tinha passado por quatro advogados, mas pela dificuldade em comprovar o vínculo rural, ninguém havia conseguido. Eu mesma busquei os documentos e, como neta e advogada, garanti esse direito para ela. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida.
Evva: Quais os maiores desafios de ser mulher advogada em uma área tão específica? Geisiane: Conquistar espaço sendo mulher já é um grande feito, porque precisamos conciliar a vida profissional com a maternidade, a casa e tantas outras responsabilidades. Para mim, que vim de uma família simples de pescadores, sem nenhum advogado próximo, é ainda mais significativo estar trilhando essa carreira.
Evva: Como foi sua trajetória até chegar à advocacia? Geisiane: Minha história profissional começou cedo. Em 1993, aos 7 anos, eu vendia camarão vivo para ajudar meu pai: pegava a caixa de isopor e ficava na beira da rua oferecendo aos veranistas que por ali passavam. A partir dali, nunca mais parei de trabalhar. Passei por diferentes funções — fui caixa de mercado, trabalhei em sorveterias (onde conheci a inspiradora Dona Vilma) e até em uma empresa de locação. Cada experiência me trouxe disciplina, resiliência e a certeza de que eu precisava lutar por um futuro melhor.
Em 2003, conquistei um estágio na Celesc — mesmo sem saber ligar um computador. Foi ali que nasceu o sonho de passar em concursos. Fiz muitos ao longo da vida e cada tentativa foi um aprendizado. Em 2008, assumi a vaga de agente administrativo na Câmara dos Vereadores de Itapoá e, mais tarde, conquistei uma vaga na UFPR, que me trouxe estabilidade e abriu novos horizontes.
Em 2011, realizei o grande sonho de iniciar a faculdade de Direito. Mas, devido às dificuldades financeiras, precisei trancar e retomar os estudos algumas vezes. Foi um caminho longo, cheio de obstáculos, mas nunca deixei de acreditar. Em 2019, finalmente me formei — e aquele foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Olhar para trás e ver que a menina que vendia camarão havia realizado o sonho de se tornar advogada foi inesquecível. Hoje, sou especialista em Direito Previdenciário e Direito Constitucional, além de mestre em Ciências Ambientais — esta última conquista voltada para a realização pessoal e para ampliar meu olhar sobre o impacto social da minha atuação.
Evva: Como é para você morar em Matinhos e continuar atuando em Itapoá?
“Olhar para trás e ver que a menina que vendia camarão havia realizado o sonho de se tornar advogada foi inesquecível.”
Geisiane: Itapoá é minha cidade natal, o lugar onde vivem meus pais, irmãos, sobrinhos, avó, tios e tias, além de muitos amigos. É aqui que me sinto verdadeiramente em casa e de onde tiro forças para seguir em frente. Atualmente, tenho minha inscrição principal na OAB Paraná e a suplementar em Santa Catarina, o que me permite atuar nas duas regiões. Costumo vir para Itapoá quase todo fim de semana e, com a facilidade do atendimento remoto, consigo manter o vínculo próximo com meus clientes. Já estou me organizando para, a partir do próximo ano, realizar atendimentos presenciais em Itapoá uma vez por semana, sempre após as 14h, reforçando ainda mais esse elo com a comunidade que faz parte da minha história.
Evva: Você está começando um novo projeto. Pode contar um pouco sobre ele? Geisiane: Sim, estou desbravando um projeto de recuperação de crédito tributário para empresários. Vejo nesse campo uma grande oportunidade de fazer justiça e de promover a saúde financeira das empresas — porque quando as empresas estão bem, elas mantêm empregos e geram riqueza para a cidade.
Com as mudanças trazidas pela Reforma Tributária, esse momento se torna ainda mais estratégico. A partir de 2026 começam a entrar em fase de teste os novos tributos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituirão gradualmente tributos atuais como PIS, Cofins, ICMS e ISS.
Durante o período de transição, será essencial que os empresários possam revisar o histórico de tributos pagos em excesso ou créditos não usufruídos. O nosso projeto visa identificar esses valores que podem ser recuperados ou compensados, especialmente nos tributos antigos, e orientar estratégias para que esses créditos não se percam com a mudança normativa.
Evva: Que mensagem você gostaria de deixar para outras mulheres que buscam inspiração na sua trajetória? Geisiane: Que nunca desistam dos seus sonhos. Pequenas atitudes diárias nos levam longe. E que lembrem sempre: há um Deus que realiza sonhos. A felicidade existe e funciona.
Evva: Que mensagem você gostaria de deixar para outras mulheres que buscam inspiração na sua trajetória? Geisiane: Que nunca desistam dos seus sonhos. São as pequenas atitudes diárias que nos levam longe. Mesmo depois das quedas, é preciso levantar e prosseguir, porque só vence quem entra no jogo. Ao longo da vida, sempre aparecerão palavras de desânimo, mas é essencial focar naquelas pessoas que nos incentivam e acreditar no nosso propósito.
Eu sou muito grata a todos que passaram pelo meu caminho — familiares, amigos, professores e colegas — e que, de alguma forma, me ajudaram a chegar até aqui. Temos que fazer a nossa parte, com coragem e perseverança, e confiar: há um Deus que realiza sonhos. A felicidade existe e funciona.
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