A popularização das chamadas em alta definição e o fenômeno da fadiga da autoimagem impulsionam uma busca por resultados naturais e intervenções estruturais personalizadas 

A popularização de vídeos curtos na internet e chamadas em alta definição trouxe um novo olhar sobre a estética facial, contextualizando a busca por procedimentos estéticos. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery indicam que intervenções faciais, como o lifting e cuidados na região dos olhos, mantêm-se em destaque por serem um reflexo que acompanha a digitalização das interações. Essa tendência caminha lado a lado com a presença digital constante e o hábito de conexão dos brasileiros que, segundo a DataReportal (2025), desfrutam de mais de 3 horas diárias navegando em redes sociais.

Na perspectiva da cirurgiã plástica Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a mudança não está apenas na demanda, mas na expectativa dos pacientes. “As redes sociais aumentaram o nível de auto observação. As pessoas se veem mais, se analisam em diferentes ângulos e, ao mesmo tempo, passaram a rejeitar resultados artificiais. Existe uma busca clara por intervenções que respeitem a identidade facial”, afirma. 

A percepção clínica e a fadiga da autoimagem

O aumento do uso de câmeras frontais e reuniões virtuais também contribuiu para um fenômeno conhecido como fadiga da autoimagem, já discutido em estudos internacionais nos últimos anos. A visualização constante do próprio rosto em telas, muitas vezes com distorções de lente, pode intensificar a percepção de assimetrias e sinais de envelhecimento.

Segundo a cirurgiã, esse efeito exige cautela na avaliação clínica. “Nem toda queixa que surge a partir da câmera corresponde à realidade anatômica. Parte do nosso trabalho é orientar o paciente, diferenciar percepção de necessidade real e indicar o que faz sentido do ponto de vista técnico”, afirma.

Com isso, a influência das redes sociais deixa de ser apenas um fator de estímulo e passa a exigir um olhar mais criterioso por parte dos especialistas, que precisam equilibrar expectativa, percepção e indicação adequada de tratamento.

A especialista observa que o aumento da exposição digital trouxe um efeito duplo, ao mesmo tempo em que amplia o interesse por procedimentos, também torna o público mais crítico em relação aos resultados. Isso tem levado a uma valorização crescente de técnicas que atuam em camadas profundas da face, com foco em reposicionamento estrutural, em vez de mudanças superficiais. 

Mudança no perfil do paciente

A influência das redes não se limita à decisão de realizar um procedimento, mas também altera o comportamento de quem procura esse tipo de intervenção. Segundo a médica, há uma mudança na forma como os pacientes chegam ao consultório, com mais acesso à informação e maior clareza sobre o que desejam evitar.

“Hoje, o paciente chega mais informado e com referências muito claras do que não quer. Existe um receio grande de parecer artificial. Isso muda completamente a condução da cirurgia, que passa a ser mais estratégica e personalizada”, explica.

Esse comportamento também está relacionado ao tipo de conteúdo consumido, a exposição a filtros, padrões irreais e comparações constantes gerou, em um primeiro momento, uma busca por padronização estética. Agora, o movimento caminha na direção oposta, com valorização da individualidade.

Técnica e naturalidade ganham protagonismo

Nesse contexto, procedimentos como o lifting facial profundo e cirurgias na região periocular ganham espaço por oferecer resultados mais naturais e duradouros. Essas técnicas atuam nas estruturas internas da face, promovendo reposicionamento dos tecidos e evitando o aspecto artificial associado a intervenções superficiais.

Danielle Gondim afirma que esse avanço técnico acompanha uma mudança de mentalidade. “Não se trata mais de transformar o rosto, mas de restaurar estruturas que foram alteradas ao longo do tempo. Quando você trabalha em profundidade, o resultado aparece de forma mais harmônica e discreta”, diz.

A região dos olhos, uma das mais expostas em chamadas de vídeo e fotos, se tornou central nesse processo. Procedimentos como a blefaroplastia, que corrige excesso de pele e bolsas de gordura nas pálpebras, também têm sido associados a outras técnicas para um resultado mais equilibrado.

Protagonismo feminino na especialidade

Doutora-100-1024x682 Cirurgia plástica facial avança com influência das redes sociais e reforça busca por naturalidade 

A transformação do setor também acompanha o crescimento da presença feminina na cirurgia plástica, especialmente em áreas de alta complexidade como a face. Para Danielle Gondim, essa mudança contribui para uma abordagem mais individualizada e menos padronizada.

“A cirurgia facial exige sensibilidade estética e leitura de identidade. O protagonismo feminino na especialidade tem ampliado esse olhar, trazendo mais atenção à singularidade de cada paciente”, diz.

A tendência, segundo ela, é que a influência das redes sociais continue moldando o setor, mas com um público cada vez mais exigente e consciente. “A exposição digital veio para ficar. O que muda agora é a forma como as pessoas lidam com isso. Existe uma maturidade maior na busca por resultados que façam sentido no longo prazo”, conclui.

Fonte de pesquisa


Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
https://www2.cirurgiaplastica.org.br

International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS)
https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statistics/

DataReportal Digital 2025 Global Overview Report
https://datareportal.com/reports/digital-2025-global-overview-report

Sobre Danielle Gondim

Dra. Danielle é cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri.

Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. 

Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Sua agenda internacional inclui ainda convites para palestras no congresso da sociedade espanhola de cirurgia plástica, em Madri.

Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente.

Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica.


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Jeh Soares, Jornalista https://revistaevva.com.br

Jerusa Soares: Jornalista Publicitária Sênior e especialista em Gestão de Tráfego. Desde 2008, atuo com marketing e conteúdo estratégico, abrangendo diversos segmentos como turismo, bem-estar, moda, alimentação, empreendedorismo, educação, esportes, política e e-commerce. Com uma experiência sólida de mais de 15 anos, ajudo empresas locais a aumentarem suas vendas por meio de estratégias de marketing digital bem elaboradas.

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